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É um pássaro, é um avião...
Agilidade e precisão para manter o público bem informado
Muitas vezes já paramos para pensar, em frente à televisão, sobre como as imagens de um incêndio, enchentes, ou qualquer outra situação chegam aos telejornais, antes mesmo de equipes de resgate. Ou até mesmo acompanhamento de provas de rua, como a São Silvestre.
Um piloto e uma moto. Pronto, eis a resposta.
Entretanto falar só isso não basta. Este profissional, muitas vezes chamado de motolink, consegue ter a agilidade e rapidez que um carro não tem. Ao saber de um grande incêndio, as emissoras de televisão acionam os motociclistas para irem até o local e fazer as primeiras imagens, isso aconteceu com a queda do avião da TAM no ano de 2007, no aeroporto de Congonhas. Um telejornal noturno, de rede nacional, ao receber as imagens do hangar da companhia área em chamas não conseguiu informar ao telespectador o que tinha acontecido. Somente depois, com chegada da equipe completa da rede, é que foi informada a queda do avião, mas as primeiras imagens foram captadas pelo motolink. As emissoras equipam as motos com transmissores digitais, que por sua vez são direcionados a helicópteros, e de lá vão direto para a emissora.
Boa parte destes profissionais são funcionários das emissoras e recebem um treinamento especifico para a função, além dos itens de segurança. Entretanto alguns são freelancers, trabalhando por conta própria nas ruas das grandes cidades, como é o caso de Oslaim Brito, um dos mais conceituados do meio na cidade de São Paulo.
Pelas ruas, onde andas
Brito é conhecido na cidade de São Paulo como o fotografo do transito e não trabalha com a aparelhagem de transmissão às redes de televisão, mas sim com uma câmera fotográfica e folmadora. Detém títulos como Prêmio Brasil de Fotografia de Trânsito e Prêmio Volvo de Segurança, e conta como começou nesta vida. “comecei há 15 anos, quando entrei na CET (Companhia de Engrenaria e Tráfego) e passei para a equipe de motos, onde estou até hoje. Como gostava demais de fotografia, comecei a fotografar as novidades da cidade sempre após o termino do meu expediente, que é meio período”.
O paparazzi, como também é conhecido, fica sempre atento a acidentes de trânsito e coisas do cotidiano, segundo ele, seu arquivo tem mais de 10 mil imagens. “Todos os dias, quando saio do meu trabalho, vou em casa e faço um planejamento de onde vou arranjar notícia. Saio percorrendo a cidade e chego a rodar mais de 150 km com minha Honda Broz ano 2004. Enfrento tudo com ela chuva, sol e poeira”.
O material produzido por Brito é fornecido para a rede Globo e agências que se encarregam de distribuir para todo o Brasil. Segundo suas estimativas, seu ganhos chegam perto de R$ 3 mil ao mês, e não pretende parar, contudo mostra preocupação com os jovens de hoje.
“Vejo a motocicleta como um escape dos jovens que não estudaram ou procuraram uma profissão e pegam uma moto cometendo algumas barbaridades na rua. Reflexo disto é o grande numero de acidentes e mortes na cidade. Daqui a mais dois anos, teremos nas ruas da cidade, mais de um milhão de motocicletas rodando. Reflexo da falta de emprego e preparo dos jovens, é preciso tomar uma medida rigorosa na área senão as mortes não continuar”. Apesar da critica, Brito não pensa em desistir, ao contrário, fixou uma meta. “Todos os dias eu publico material na televisão e nos jornais e esta vida de paparazzo é tão boa que meu filho de 19 anos me acompanha e minha filha de 23 me ajuda. Vou continuar por muito tempo porque gosto demais. Ando de moto com adrenalina total e nunca tive um acidente, pois guio com atenção e respeito demais as leis de trânsito. Pretendo chegar a publicar 1000 vídeos no youtube já tenho 400 e no meu arquivo de fotos tenho mais de 10 mil imagens”.
Por acaso
Luiz Pereira Vidal, de Mogi das Cruzes, tinha acabado de sair da Eletropaulo quando um amigo, que tinha um restaurante, pediu para ele fazer as entregas e ele acabou gostando. “É tranquilo, gosto de andar de moto, não sou de ficar preso” explica Vidal, que está ha três anos na TV Diário, filial da rede Globo no Alto Tietê e enfrenta o desafio de fazer o leva-e-traz das fitas gravadas pelos repórteres da região. “Quando comecei a levar a fita já sabia que seria uma grande responsabilidade porque um conteúdo importante do jornal está em minhas mãos e depende de mim para chegar até o telespectador. Todos os dias entro às 06 horas da manhã e antes de começar a levar as fitas, busco um estagiário de carro que vai fazer uma ronda pessoalmente nos departamentos de polícia. O trabalho com as fitas começa mais tarde, conforme os vídeos vão sendo executados e chego a rodar por volta de 80 km em toda a região”.
Com grande responsabilidade, ele tem consciência de que a cobrança do tempo é necessária para na profissão neste caso, e para não ser pego de surpresa, Vidal utiliza duas motos: uma Titan 150 e uma Bros, enquanto uma usufrui de um merecido descanso, a outra está nas ruas dando duro, o que as vezes não é reconhecido. “Acham que a demora é da gente. No começo eu ficava estressado com esta cobrança, mas com o passar do tempo, foi diminuindo”, desabafa. Ele às vezes não entende o chefe de reportagem: uma hora elogia diz que ele foi rápido demais, outra xingam e diz que ele foi lento. Quando a mãe assiste o jornal, ele comenta "mãe, esta reportagem aí, eu que fui no local pegar a fita". Vidal sente orgulhoso disso e tem noção que é fundamental para o jornalismo o que ele faz.
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